Lycaon pictus

Antes de sair para caçar, uma alcateia de mabecos não segue simplesmente o líder. Reúne-se, delibera e vota. Com espirros!

Espirraste? Então vamos!

Acontece sempre da mesma forma. Depois de um período de descanso, um dos mabecos levanta-se e começa a circular pelo grupo. Começa a abanar a cauda, a roçar o focinho nos outros, e o ambiente fica mais agitado. É o início do que os investigadores chamam um rally: uma cerimónia de saudação coletiva, intensa e barulhenta, que acontece sempre antes de uma deslocação em grupo.

Nem todos os rallies terminam numa caçada. Então o que determina se o grupo vai ou fica?

Durante mais de um ano, investigadores observaram alguns grupos de mabecos e registaram os detalhes de 57 rallies. A análise dos dados revelou um padrão: quanto mais espirros havia durante uma cerimónia, maior a probabilidade de o grupo se levantar e partir. Abaixo de um determinado número, o grupo fica.

Por isso, os espirros funcionam como votos! Mas não se trata de uma democracia igualitária. Quando era o macho ou a fêmea dominante a iniciar o rally, bastavam em média três espirros para o grupo partir. Quando era um indivíduo de estatuto inferior a tomar a iniciativa, o quórum, número mínimo de votos necessários, subia para cerca de dez. Ou seja, o voto de cada membro conta sempre, mas não de forma igual para todos. Mas a vontade coletiva pode de facto sobrepor-se à do líder, desde que seja suficientemente expressiva.

A força do grupo… numa espécie em risco

O mabeco é considerado o canídeo mais social do mundo. Vive em grupos coesos, caça em coordenação, e cuida coletivamente das suas crias e dos seus doentes. E esta descoberta vem reforçar a complexidade social destes animais.

Atualmente existem apenas cerca de 6 600 mabecos em toda a África e esta espécie está classificada como Em Perigo pela IUCN. Sendo a perda de habitat uma das suas principais ameaças.